Visitantes

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Longe de ser uma menina ingênua e sonhadora, até hoje, eu gosto da literatura de romance. Não somente pelo fato de ter sempre mocinhas, mocinhos, vilões, paixões, encontros e desencontros, entre outros clichês dessa arte literária. Mas, eu vejo nos romances sempre um quê de mistério, um suspense no ar. 
Assim, como na vida real, será que um romance vai dar certo? Romance, relacionamento, vida a dois, nada fácil na vida real, mas não impossível. Conviver a dois no dia a dia não é realmente para qualquer pessoa. 
Ninguém está totalmente preparado para o que acontece, cada dia é novo, são situações que aparecem, problemas a serem resolvidos, tem muita coisa em jogo, durante o namoro e principalmente, no casamento. Ser vencedor  numa relação que não é uma luta, significa conseguir entender o que realmente é o "amor".
Por isso, eu acho que os romances, tem algo a mais para nos contar, para acrescentar, porque parte de uma premissa de um encontro ou reencontro e a partir dali tudo é possível.
Eu gosto de viajar na imaginação, mas andar com os pés bem fincados no chão. Saber que eu posso ir para algum lugar e tenho para onde voltar. Isso chama-se viver.
A chama que muitos dizem ser o amor, pra mim é mais concreta, é algo real, denso, é ter com quem dividir o pouco ou o muito que se tem, deixar transparecer o que se é realmente e assim mesmo, estar junto. Amar é errar e acertar, é crer, é ter medo, mas ter segurança ao mesmo tempo, é muito mais... Quem vive isso sabe. Assim, como a maternidade, uma mãe sabe como é esse sentimento, o cordão umbilical que liga um filho ao coração dela, não se rompe jamais. 


Em 1982 passei no vestibular em Letras - Licenciatura Plena em Língua Portuguesa. A partir de 2013, depois de mais de 30 anos longe dos estudos, eu passei no ENEM, todas classificações no Sistema Universal - Tive nota suficiente até para Direito, mas não optei. Então, fui classificada 03 vezes para o Curso de Letras, na UNINTER, em EAD; 03 vezes em Psicologia, duas vezes para a FISMA, classificação: 2º lugar e a outra na ULBRA, em Santa Maria/RS. Também fiquei classificada em Filosofia por três vezes, duas EAD - UFPEL e uma presencial - UFSM. Também me classifiquei em Pedagogia - UFSM. Também em Sociologia - UFSM - E em SISTEMAS PARA INTERNET - UFSM. Como são cursos presenciais, não posso cursá-los, devido aos problemas de saúde. Enfim, curso Letras - Português UAB - UNIPAMPA no Polo Sepe Tiaraju em São Sepé / RS, curso a distância.


Continuo gostando muito de estudar, ler, o aprendizado fica mais rebuscado, quanto mais se lê. A aventura de penetrar na história de um livro, a criatividade ampliada, as fantasias estimuladas e a vontade de novas criações, faz com que eu busque incansavelmente realizar meus sonhos. Não de uma maneira somente utópica, mas verdadeiramente. Muito antes de entrar na escola, eu já sabia ler e escrever e gostava muito da leitura e da escrita. Além dessa facilidade e gosto, também a Matemática me fascinava, não tendo dificuldades com ela e também gostando e tendo notas muito boas.

Porém, como sou vestida de sentimentos, e graças a Deus, as oportunidades foram aparecendo e eu as buscando, estou no mundo das Letras, o lado que pesou mais forte e balançou mais meu coração. O raciocínio lógico também sempre foi o meu forte, apesar de eu ter até uma certa vergonha de ter sido considerada a aluna mais inteligente da sala de aula durante anos, e ser sempre a líder da sala. 
Minha timidez, talvez, me impeça de demonstrar mais o meu conhecimento em vários assuntos e apesar de estar sempre atualizada com os assuntos do momento, eu não exponho o meu saber. 

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Antes mesmo de ter a idade escolar, que naquele tempo era com 07(sete) anos, eu queria muito ir para a escola, sonhava em ser professora. Brincava de ser professora, diariamente. Ganhei uma pasta da minha prima de Santa Cruz do Sul. Fiquei muito feliz! Todos os dias, eu colocava dentro dessa pasta caderno, lápis e borracha, dizia que ia pra escola. Certo dia, fugi, saí na avenida afora, onde eu morava, e meu pai foi atrás de mim, ele me levou para casa novamente e deixou-me de castigo por algumas "infinitas" horas...
O tão sonhado dia de começar as aulas chegou, até que enfim! Eu tinha sete anos, porém eu era alta, fui para uma turma em que os alunos eram mais velhos do que eu, e depois de uma semana, que verificaram o engano e eu, finalmente, fui para a turma correta, com colegas da minha idade.
Sempre fui boa aluna, tinha ótimas notas e era muito bem comportada, porém era muito tímida. Mesmo assim, eu era escolhida para ler textos, declamar poesias em público, na escola, no CTG Índio Sepé, na Igreja, na Praça em comemorações como Sete de Setembro, entre outras.
Em 1975, fui para o Ginásio Estadual Tiaraju, onde estudei da 5ª série a 8ª série. Tenho boas lembranças dessa escola, também. Recordo-me da diretora, dos professores e  dos colegas. A escola era grande (engraçado, como as coisas parecem maiores, quando ainda somos crianças), de alvenaria, dois andares e, logo que cheguei, estranhei, pois era tudo diferente, muitas novidades para mim.
Aos poucos, eu me acostumei, continuava sempre muito boa aluna, ótimas notas, bem comportada e  sempre, muito tímida. Continuava sendo escolhida para ler as poesias em público nas festividades e, também, era a mais votada para ser a líder da sala de aula, em todas as séries que estudei nessa escola, onde concluí a 8ª série, em 1978.
Em 1981, apesar de estar matriculada no Magistério no Colégio das Irmãs, como chamam até hoje, o MAJU, pronta para começar a realizar meu sonho de ser Professora, eu fui para o Colégio Estadual São Sepé, aconselhada pelo meu irmão. Ele disse ser o melhor curso para me preparar para o vestibular e, posteriormente, para uma faculdade.
Assim, no CESS, eu fiz o 2º grau, o curso era o Técnico Parcial Auxiliar em Adubação. Nunca reprovei, minhas notas eram muito boas, mas não gostava do curso, preferia ter feito o curso de Tradutor Intérprete, também no CESS, só que naquele ano não teve o curso, pois não formou turma, devido a não ter alunos suficientes.
Depois de mais de trinta anos fora da escola, voltei aos estudos. Passei no ENEM em 2013, pelo PROUNI com Bolsa de Estudos Integral no Curso Graduação de LETRAS na UNINTER. Cursei somente até o III Módulo do referido curso. Enquanto isso, eu fiz muitos cursos online, outros presenciais como cursos de Formações Profissionais, entre outros. Concluí o Técnico em Secretariado e o Curso Técnico em Multimeios Didáticos, o qual estou cursando simultaneamente com o curso de Letras EaD da UNIPAMPA, no Polo de Educação Sepé Tiaraju.
A minha relação com a leitura vem desde criança, pois eu gosto muito de ler e principalmente, de escrever. Quando criança, eu lia revistinha em quadrinhos e livros de histórias, que a minha mãe comprava para mim. Adorava quando ela ia em Santa Maria, trazia sempre novidades em livrinhos de histórias infantis. Também, livretos de palavras cruzadas que eram além de divertidos, bastante interessantes e significativos no aprendizado de novos vocábulos. 
Eu me lembro de que, na escola, não era muito exigida a leitura de livros de historinhas infantis, apenas os textos prontos que vinham nos livros didáticos. Mas, tinha a Composição no primário que correspondia à Redação ou Produção Textual posteriormente, eu tirava notas ótimas em Redação, gostava muito quando a professora anunciava que íamos ter redação, eu começava a escrever imediatamente, mil ideias fluíam e acabavam no papel. 
Assim, eu ficava feliz quando encontrava nos livros que a mãe comprava para mim, trechos do que tinha visto nos livros da escola, que eram textos para interpretação, textos curtos, com vocabulário simples, geralmente partes de historinhas clássicas.
Meu irmão quando saiu do exército e formou-se em Odontologia, deixou lá em casa várias malas com livros maravilhosos, desde dicionários, enciclopédias,obras de autores famosos como Louis Riboulet, Richard Bach, Vicent Peale, entre muitos outros, livros da literatura brasileira e da internacional, livros de Latim, muitos livros sobre a Segunda Guerra Mundial , a História Geral, bem como enciclopédias sobre o mundo animal e vegetal, e muito mais. Eu mergulhava diariamente nos livros, lendo-os, devorando-os, angariei conhecimento amplo e variado, e especialmente fui aperfeiçoando a minha escrita.
Mais tarde, eu fui buscando na Biblioteca Municipal livros para ler em casa, especialmente na minha adolescência. Comecei a escrever algumas poesias, contos, crônicas, principalmente românticas, sendo que também de suspense, pois numa determinada época, na minha adolescência ainda, fiquei fã de Agatha Christie. Tenho rascunhos de dois livros escritos, desde os anos 80 e 90, quando iniciei escrevê-los. São baseados em sonhos que eu tive e foram histórias completas. São verdadeiras inspirações Divinas, como sempre digo. São histórias interessantes, muito impactantes, reunindo tramas com um incrível suspense, capaz de envolver os leitores, como um filme que envolve seus espectadores e com finais surpreendentes.
Já li livros de diversos autores da Literatura Brasileira. Um dos autores que gosto muito é Érico Veríssimo. Li diversos livros dele, mas o meu preferido é “Olhai os Lírios do Campo”. Acho uma ótima história, triste, mas com uma lição de vida muito grande, Também li a coleção literária de Veríssimo, “O tempo e o Vento”, que conta a saga da família Terra e Cambará. Outros autores era muito tímida e sentia-me romântica e sonhadora.

Com o tempo, fui mudando e em 1982, quando realizei vestibular li alguns livros para o concurso e ainda adolescente, não estava com meus pensamentos críticos totalmente formados. Então, livros como “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Mello Neto e “Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa, não me chamaram muita atenção, achei-os cansativos de ler. Anos depois, vi que eram obras muito boas no seu contexto, falando do sertão, da vida nordestina, enfatizando o sofrimento do povo nordestino, principalmente com a seca e a pobreza. Contando a história de batalhas travadas no sertão, com personagens em busca de uma vida melhor, numa terra sem muitas perspetivas, naquela época e até hoje. São histórias que refletem a realidade de um Brasil imenso e diversificado, tão rico e ao mesmo tempo tão pobre.
Atualmente eu leio livros didáticos variados, muitos artigos, contos e crônicas, pois sempre é tempo de aprender, e aprender a aprender. O aprendizado faz parte da evolução humana, é bem-vindo e constrói o nosso saber. Também, leio virtualmente, autores diversos, alguns da Literatura Russa, Portuguesa, Inglesa e também Alemã. Muitos, foram transformados em filmes, porém nem são fiéis às histórias nos livros. 
Espero concluir o curso superior e realizar a minha Formatura de Licenciatura  em Letras Português, alcançando o meu sonho! Pois, já poderia estar formada, desde 1985. Assim mesmo, eu não me culpo e nem culpo ninguém por não ter realizado esse sonho há anos. Hoje, eu sei que a minha vida era para seguir o rumo que seguiu. Formei uma família, antes de realizar meu sonho dos estudos, realizei os sonhos de Deus, antes dos meus.
Quanto aos meus objetivos em relação ao curso, sempre foi colocar em prática o meu aprendizado no curso, lecionando em sala de aula e com um objetivo bem claro, impulsionar e divulgar a Língua Portuguesa, para que ela seja cada vez mais uma disciplina melhorada e amplamente difundida. Mostrar o quanto nossa língua é interessante e essencial para os alunos de todas as idades e que eles saibam como utilizá-la e de modo que compreendam o sentido dos textos. Incentivando-os também, à leitura de livros, tanto físicos como virtuais, despertando o interesse e como uma maneira de conhecerem melhor a realidade e poderem tornar-se mais crítico no dia a dia.
Com as diversas disciplinas do curso, eu também pretendo aprimorar minha forma de pensar e agir nas diferentes situações surgidas em sala de aula e no cotidiano. Bem como, desenvolver uma didática de ensino mais ampla, agindo com responsabilidade, interesse e coerência ao tomar decisões, tanto no âmbito pessoal, como no profissional, pois reconheço a importância do aprimoramento, expansão e aplicação do conhecimento para a nossa vida. Espero aprender bastante sobre as metodologias para ensinar a Língua Portuguesa, facilitando a utilização dos métodos em sala de aula, tornando as aulas agradáveis e prazerosas, levando os alunos a um conhecimento maior da nossa língua materna e a sua valorização.

sábado, 19 de agosto de 2017

ABORTO: VOCÊ É LIVRE PARA FAZER SUAS ESCOLHAS

Aborto é a suspensão da gravidez por morte do embrião ou do feto, juntamente com os anexos ovulares. O aborto pode ocorrer de forma espontânea ou pode ser provocada. O feto eliminado com menos de 0,5Kg ou 20 semanas de gestação é considerado aborto. Interrupção da gravidez é a retirada ou expulsão prematura de um embrião ou feto do útero, resultando na sua morte ou sendo por esta causada. Isso ocorre de maneira espontânea ou artificial, atentando-se o fim da gestação, e por consequência o fim da vida do feto, mediante técnicas médicas, cirúrgicas...
Na Constituição Federal de 1988 no art. 5º, está escrito que a vida é um direito natural do ser humano, pois é inerente a ele, fazendo parte da sua essência e tendo a garantia de inviolabilidade. Esse direito deve ser protegido por lei.
Portanto, tudo o que for contrário à vida, deve ser negado por lei. Contudo, não é considerado crime quando é realizado com cirurgia por um médico especializado em três circunstâncias: quando a mulher corre risco de morte devido à gravidez, quando a gravidez é resultado de um ato de estupro ou se o feto for anencefálico. Atualmente, o assunto aborto tem sido bastante discutido, pois é muito polêmico. De um lado a lei visando proteger a vida e de outro, as pessoas querendo ter o direito de decidir.
Eu sou totalmente contra o aborto, pois penso que com certeza a vida de outra pessoa não está à margem de ser decidida, como se fosse um produto que pode ser descartado e jogado fora.
Conheço uma história muito linda que serve para ilustrar esse comportamento de forma muito clara, não sei se é fictícia ou real, mas é mais ou menos assim:
Uma mulher chegou num consultório médico pedindo para que o doutor realizasse um aborto nela, o médico perguntou qual o motivo, ela disse que já tinha dois filhos e que não poderia criar outro, porque não tinha condições financeiras e não queria que seus filhos passassem dificuldades.
O médico calmamente olhou pra ela e disse: - Muito bem! Vou fazer o que a senhora está me pedindo, que idade têm seus dois filhos, são meninos ou meninas?
Ela respondeu que um tinha 06 anos e o outro 04 anos, um era menino e outra era uma menina.
Novamente o médico muito calmo, fez uma nova pergunta:
-Bem, então traga seus filhos até aqui, e a senhora vai escolher, qual deles quer que eu mate, o menino ou a menina?
A mulher ficou desesperada, disse que não queria que matasse nenhum deles, aquilo era um absurdo! Que ela os amava etc. e tal.
-O médico respondeu: -Pois é, minha senhora, o que está querendo fazer com esta criança que carrega em seu ventre, é a mesma coisa, está querendo que eu cometa um assassinato. Não faz diferença, se a criança já nasceu, se está grande, ou ainda está na sua barriga, será um assassinato, pois é uma vida. E ela tem o direito de nascer!
A mulher não respondeu, saiu do consultório de cabeça baixa e em silêncio e nunca mais pensou em cometer um aborto.
Antes de cometer um aborto, tanto por uma gravidez causada por estupro, quanto por problemas financeiros, de idade, entre outros, é necessário levar em conta que há outras soluções. Tantas pessoas querendo uma criança para adoção, não é necessário tirar a vida de um inocente, realmente é um crime, é como se fosse matar uma pessoa que já nasceu.
Creio que Deus criou o ser humano para ter vida em abundância, não para morrer, sem ter tido a chance de viver. É claro que se Ele criou, somente Ele pode decidir quando é chegada a hora de cada pessoa.
Quando há risco de vida para uma mulher, acredito que a situação deve ser muito analisada, somente em último caso, não tendo mesmo outra solução para ser realizado o aborto.
Quanto às crianças com anencefalia existem relatos de crianças que sobreviveram mais tempo do que o previsto e outras continuam vivas, deve ser dada a chance de preservar a vida.
No que tange a respeito da liberdade de decisão da mulher sobre o próprio corpo, tal questão tem fundamento nos ideais de autonomia e liberdade do liberalismo, que foram adotadas pelo feminismo contemporâneo dos anos 1970/1985 e foram diferenciadas nas lutas das mulheres por defenderem seus direitos com o próprio corpo. Essas liberdades devem ser amplamente discutidas, já que quando grávidas elas carregam outro(s) corpo(s) dentro delas, outra(s) vida(s), ou seja, seres humanos.
 Hoje em dia há muitos métodos contraceptivos e muitos deles ajudam até a evitar doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), se uma pessoa é consciente para fazer o sexo, deve ser consciente e responsável também para levar uma gravidez até o final, assumindo as responsabilidades, cuidando, dando amor e carinho ao novo ser humano que se forma desde a fecundação. No meu caso, eu não posso usar outros meios de contracepção, então meu esposo usa preservativos e funciona muito bem.
 Você é livre para fazer escolhas, mas não se esqueça nunca que é livre também para assumir as consequências que um aborto pode trazer, tanto afetando a saúde física, como a mental e a psicológica, porque conviver com a culpa da morte de um ser humano não é fácil. Passar anos pensando como poderia ser aquela pessoa que foi negada a vida a ela, é muito triste e pode causar problemas irreversíveis na sua vida, por isso pense muito bem antes de tomar uma decisão.Eu me baseio muito para ter a minha opinião formada sobre esse assunto, no depoimento a seguir, nele dá pra notar claramente a força e a coragem da mãe Mônica Torres Lopes Sanches que por amor a sua filha, não cometeu aborto, mesmo sabendo que ela nasceria sem o cérebro ou sem uma parte dele e teria pouco tempo de vida. Mas ela deu a sua filha uma chance: a de nascer e pelo menos por poucas horas sentir o gosto da vida pulsando! Leia com atenção.
*********************************************************************************
Entrevista Revista Veja com Mônica, mãe de Giovanna:
“Giovanna nasceu às 14:17h. Fiquei preocupada, pois não ouvia seu choro. Sabia que corria o risco dela não reagir, não respirar e falecer no momento que cortasse o cordão umbilical. Fiquei apreensiva esperando alguém me dar notícias dela. Foi quando ouvi seu chorinho confirmado pelo Pe. André que foi batizá-la. O Papai tirou muitas fotos dela quando o Doutor Alberto, seu pediatra, veio trazê-la para meus braços. Ela era linda! Tinha a boca do Papai e o meu nariz. Seu chorinho era como se me pedisse proteção e foi o que fizemos. Dei carinho, beijo, chorei, pedi desculpas pela vida curta que lhe daria e curtimos muito. Levaram ela e fiquei com uma sensação maravilhosa pois tudo que pedimos já tínhamos conseguido: Que ela fosse batizada e que tivéssemos um tempinho para curti-la. Fui para o quarto e umas 18:00 h fui vê-la. Cheguei lá, os batimentos cardíacos dela estavam baixos e o aparelho emitia um alarme. Ao vê-la fiquei muito emocionada, pois ela estava peladinha e pude observá-la melhor e ver seus pezinhos, seus bracinhos, fofa demais! Comecei a fazer carinho em sua perninha e dizer o quanto ela era amada e o quanto estávamos orgulhosos da sua força. Sem que eu soubesse do seu estado, seus batimentos começaram a subir de 94 para 129 e estabilizaram (o normal é entre 120 e 170) para a surpresa inclusive da enfermeira que estava conosco. Foi a prova física do que eu já sabia. Que ela me reconheceu como aquela que a protegeu durante os nove meses e deu até um “sorrisinho” de tão relaxada que ficou. Foram momentos inesquecíveis. Ver quanto éramos importantes para ela, era tudo o que precisávamos e ao mesmo tempo, nem sei se merecíamos tamanha alegria. Foi colo de Deus mesmo.
 Umas 20:30 h pedi ao Marcelo para ver como ela estava. Ele voltou muito emocionado e disse que ela não estava muito bem, que respirava com dificuldades, que já devia ser a hora dela e que não achava bom eu ir lá. Choramos juntos e também rezamos juntos para que Nossa Senhora a recebesse quando chegasse lá e que ela não sofresse. A médica avisou à Miriam (madrinha da Giovanna) que era bom eu ir. Foi o que eu estava precisando. Quando cheguei lá, Giovanna não respirava mais, mais seu semblante era realmente de que não sofreu e de quem tinha partido nos braços da Mãe do Céu. Peguei ela no colo e percebi naquele momento que ela estava nos vendo e que sabia do amor que tínhamos por ela. Dei beijos e fiquei um tempo contemplando seu rostinho lindo.
 Seu enterro foi tratado às 9:00 h do dia 26 para às 11:00 h do mesmo dia. A chuva fina permanecia e por ser um Sábado de Aleluia, imaginamos que as pessoas não teriam tempo de saber e de estarem lá. O carinho de todos foi tão grande que umas 90 pessoas entre amigos e familiares foram nos dar apoio. Marcelo carregou seu caixãozinho com o orgulho de quem deu a vida e dignidade quando esta já não era possível. Sabia que para esta filha, com certeza, teríamos dado o Céu. E que a vida que ela hoje vive não tem mais fim. Giovanna foi uma guerreira que mostrou aos mais incrédulos que era pequena no tamanho, mas grande na necessidade de mostrar o quanto sua vida era importante”.
________________________________________
(A parte a seguir foi acrescentada pela autora depois da propaganda do aborto de anencéfalos pela revista Veja):
“Hoje, aquela paz abriu espaço para uma inconformação quando ouço a frieza com que falam do assunto.
Chamam-me de hipócrita (Revista Veja 03/09/08) por eu acreditar que crianças que nascem com anencefalia (ausência parcial do cérebro) como minha filha, têm o direito de serem respeitadas como seres humanos e cidadãs que são. Hipócritas são os que defendem os direitos dos excepcionais, mas querem que estes sejam aniquilados pelas suas mães em seu útero se assim elas desejarem.
Minha filha viveu além dos nove meses em meu ventre, apenas 6 horas e 45 minutos, mas nasceu viva e por todo este tempo, respirou sem a ajuda de aparelhos e chorou ao nascer. Esta não é somente uma discussão entre “doutores” e a Igreja como querem que acreditem.
Sinto-me profundamente desrespeitada como mãe quando ouço que uma criança como a minha filha, não tem direito à vida e tê-la protegida pelas leis que regem o meu país. Não admito que se menospreze a importância da vida da minha filha como se faz.
Se estiverem preocupados com o emocional das mães, pensem não só nas mães que rejeitam este filho “imperfeito”, mas também nas mães que os acolheram como príncipes de suas vidas. E desta forma, fica impossível eu não sofrer profundamente ao ouvir que vocês até aceitam que eu leve a gestação até o fim, mas que minha filha não tem o direito de viver o tempo que não sabemos também se ainda teremos para viver. É como se dissessem que respeitam a minha opção de fingir que sou mãe.
Sofro ao ouvir que “o que se tem no ventre materno é algo que nunca chegará a alguém”, “O útero materno é um casulo e o feto, uma crisálida que não chegará a ser uma borboleta. Tem o direito de nascer para morrer?” (Ayres Britto – O Globo 21/10/04). A constituição do meu país “abraça” a dignidade humana da minha filha e a coloca como cidadã que nasceu viva respirou sozinha e veio a óbito naturalmente. Com isso teve direito a certidões de nascimento e óbito e enterro digno como toda mãe deseja para um filho morto. Sofro ao ler em dicionários que anencéfalo é um monstro caracterizado pela ausência de cérebro. Minha filha não nasceu um monstro. Pelo contrario um bebê lindo que carregava características nossas como qualquer outro bebê. Também sofro ao ouvir mentiras tendenciosas como dizer que o bebê que nasce assim não tem vida. Quem não tem vida chora? [...]
Não me sinto no direito de julgar aqueles pais que tomaram decisão diferente, pois agem como um homem que por desespero atente contra a vida do assassino de um ente querido. Entendo seus motivos, mas não posso concordar com seus atos. Se eu concordasse com esta liberação, estaria aceitando que a vida da Giovanna é uma verdade relativa. A um interesse meu de passar ou não por um sofrimento. Se não quero passar por ele, então ela não tem vida. Se aceito, tem vida. Tem vida e pronto. Ponto incontestável na minha experiência de mãe que a vi respirar espontaneamente como qualquer outro bebê.

O governo deveria sim, dar todo o apoio físico e psicológico para esta mulher, para que assim como comigo, o que fique, não seja a dor de ter matado um filho, mas uma dor conformada, pois a protegi enquanto a vida lhe foi possível”. Mônica Torres Lopes Sanches

REFERÊNCIAS

Autoria do texto inicial "Aborto: você é livre para fazer suas escolhas": Eliane Kilian da Silva

BRASIL.1988. Constituição Federal,  Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais - Capítulo I - Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivosart. 5. Disponível em:<http://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_06.12.2017/art_5_.asp>.

VEJA, Revista.  Entrevista Revista Veja com Mônica, mãe de Giovanna: Disponível em: <http://www.providaanapolis.org.br/index.php/todos-os-artigos/item/16-o-testemunho-de-m%C3%B4nica-m%C3%A3e-de-giovanna-anenc%C3%A9fala>.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

           Nada como se olhar de maneira diferente, perceber-se como apenas um "esboço", pois a mudança existe e a construção de um ser humano se dá diariamente, ao longo de vários anos. Somos moldados conforme nossas ações, palavras e pensamentos. O nosso Criador é tão maravilhoso, Ele nos dá a oportunidade de uma construção diária, para que tenhamos a chance de melhorar nossa personalidade, nosso caráter, até Ele nos considerar uma obra pronta. Eliane Kilian da Silva

sábado, 8 de julho de 2017



Vamos participar do Fórum: “Fenomenologia do olhar”

Façam suas contribuições escrevendo um texto crítico (início, meio e fim – 3 parágrafos) a partir das leituras e do filme argumentando sobre o que vocês entendem por experiência fenomenológica do olhar/ler.

Re: Fenomenologia do Olhar - São Sepé
por ELIANE KILIAN DA SILVA - Tuesday, 27 Jun 2017, 11:20
       A primeira preocupação e a mais dominante, em todos os tempos, é situar a vida humana sob o aspecto da verdade. A busca da verdade constitui um campo fundamental da Filosofia, sem essa busca, ela não existiria. A Filosofia não é a primeira, nem a única atividade ou ciência a preocupar-se com o pensamento, com os porquês, as explicações sobre as coisas, sobre o ser humano e muito mais. Na antiguidade a busca da verdade se dava através de fábulas, da mitologia, de histórias contadas e repassadas como verdades Depois o homem começou a usar a indagação, ou seja, começou a duvidar daquelas histórias, daqueles mitos e a fazer uso da razão: mito x razão. Já nem todas as histórias pareciam verdades. O filósofo é um ser, um indivíduo curioso.
        A Fenomenologia mostra-nos a importância dos fenômenos da consciência, estudados por muitos como objetos ideais que existem na mente humana, sendo cada um desses objetos designado por uma palavra representando sua essência, seu significado. O fundador desse método foi Edmund Husserl (1859-1938), um filósofo, lógico e matemático, os principais conceitos e métodos foram estabelecidos por ele e posteriormente foram amplamente usados pelos filósofos desta tradição. Através de uma investigação subjetiva, deu origem aos estudos dos fenômenos utilizados pela mente para encontrar as verdades da razão. A Fenomenologia se opôs diretamente à metafísica, um pensamento mais voltado ao lado científicos das pesquisas e experiências e que a maioria dos filósofos da época seguiam.
         Assim a preocupação com a mente humana, enfocando todas as suas capacidades, de aprendizagem, percepção, reflexão... Foram cada vez mais sendo estudadas até chegar à atualidade. E é através da leitura, de estudos que podemos ter uma visão do mundo como ele é e também conforme nós o vemos e ainda mais, como gostaríamos que ele fosse. Uma maneira de olhar, de aprender a ler, é essencial, porque assim podemos ser mais críticos, não apenas aceitando o que nos é passado de geração em geração. Temos a nossa própria percepção, aliada ao discernimento que nos torna capazes de ver a leitura, imaginar o que estamos lendo e quase torná-las reais na nossa visão interna. Olhar com a alma, existe, pois ao ler um poema, um livro, mergulhamos nele, viajamos através dele, sonhamos através dele e interligamos a nossa realidade a ele. A proposta da fenomenologia do olhar é ler cada vez mais para aprender a ler verdadeiramente.
Eliane Kilian da Silva

Referências

Vídeos da Prof.ª Doutora Ana Boessio- Curso de Letras - UNIPAMPA

sábado, 24 de junho de 2017

Longe de ser uma menina ingênua e sonhadora, até hoje, eu gosto da literatura de romance. Não somente pelo fato de ter sempre mocinhas, moc...