Aborto
é a suspensão da gravidez por morte do embrião ou do feto, juntamente com os
anexos ovulares. O aborto pode ocorrer de forma espontânea ou pode ser
provocada. O feto eliminado com menos de 0,5Kg ou 20 semanas de gestação é
considerado aborto. Interrupção da gravidez é a retirada ou expulsão prematura
de um embrião ou feto do útero, resultando na sua morte ou sendo por esta
causada. Isso ocorre de maneira espontânea ou artificial, atentando-se o fim da
gestação, e por consequência o fim da vida do feto, mediante técnicas médicas,
cirúrgicas...
Na
Constituição Federal de 1988 no art. 5º, está escrito que a vida é um direito
natural do ser humano, pois é inerente a ele, fazendo parte da sua essência e
tendo a garantia de inviolabilidade. Esse direito deve ser protegido por lei.
Portanto,
tudo o que for contrário à vida, deve ser negado por lei. Contudo, não é
considerado crime quando é realizado com cirurgia por um médico especializado
em três circunstâncias: quando a mulher corre risco de morte devido à gravidez,
quando a gravidez é resultado de um ato de estupro ou se o feto for
anencefálico. Atualmente, o assunto aborto tem sido bastante discutido, pois é
muito polêmico. De um lado a lei visando proteger a vida e de outro, as pessoas
querendo ter o direito de decidir.
Eu
sou totalmente contra o aborto, pois penso que com certeza a vida de outra
pessoa não está à margem de ser decidida, como se fosse um produto que pode ser
descartado e jogado fora.
Conheço
uma história muito linda que serve para ilustrar esse comportamento de forma
muito clara, não sei se é fictícia ou real, mas é mais ou menos assim:
Uma
mulher chegou num consultório médico pedindo para que o doutor realizasse um
aborto nela, o médico perguntou qual o motivo, ela disse que já tinha dois
filhos e que não poderia criar outro, porque não tinha condições financeiras e
não queria que seus filhos passassem dificuldades.
O
médico calmamente olhou pra ela e disse: - Muito bem! Vou fazer o que a senhora
está me pedindo, que idade têm seus dois filhos, são meninos ou meninas?
Ela
respondeu que um tinha 06 anos e o outro 04 anos, um era menino e outra era uma
menina.
Novamente
o médico muito calmo, fez uma nova pergunta:
-Bem,
então traga seus filhos até aqui, e a senhora vai escolher, qual deles quer que
eu mate, o menino ou a menina?
A
mulher ficou desesperada, disse que não queria que matasse nenhum deles, aquilo
era um absurdo! Que ela os amava etc. e tal.
-O
médico respondeu: -Pois é, minha senhora, o que está querendo fazer com esta
criança que carrega em seu ventre, é a mesma coisa, está querendo que eu cometa
um assassinato. Não faz diferença, se a criança já nasceu, se está grande, ou ainda está na sua barriga, será um assassinato, pois é uma vida. E ela tem o direito de nascer!
A
mulher não respondeu, saiu do consultório de cabeça baixa e em silêncio e nunca
mais pensou em cometer um aborto.
Antes
de cometer um aborto, tanto por uma gravidez causada por estupro, quanto por
problemas financeiros, de idade, entre outros, é necessário levar em conta que
há outras soluções. Tantas pessoas querendo uma criança para adoção, não é
necessário tirar a vida de um inocente, realmente é um crime, é como se fosse
matar uma pessoa que já nasceu.
Creio
que Deus criou o ser humano para ter vida em abundância, não para morrer, sem
ter tido a chance de viver. É claro que se Ele criou, somente Ele pode decidir
quando é chegada a hora de cada pessoa.
Quando
há risco de vida para uma mulher, acredito que a situação deve ser muito
analisada, somente em último caso, não tendo mesmo outra solução para ser
realizado o aborto.
Quanto
às crianças com anencefalia existem relatos de crianças que sobreviveram mais
tempo do que o previsto e outras continuam vivas, deve ser dada a chance de
preservar a vida.
No
que tange a respeito da liberdade de decisão da mulher sobre o próprio corpo,
tal questão tem fundamento nos ideais de autonomia e liberdade do liberalismo,
que foram adotadas pelo feminismo contemporâneo dos anos 1970/1985 e foram
diferenciadas nas lutas das mulheres por defenderem seus direitos com o próprio
corpo. Essas liberdades devem ser amplamente discutidas, já que quando grávidas
elas carregam outro(s) corpo(s) dentro delas, outra(s) vida(s), ou seja, seres
humanos.
Hoje em dia há muitos métodos contraceptivos e
muitos deles ajudam até a evitar doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), se
uma pessoa é consciente para fazer o sexo, deve ser consciente e responsável
também para levar uma gravidez até o final, assumindo as responsabilidades, cuidando,
dando amor e carinho ao novo ser humano que se forma desde a fecundação. No meu
caso, eu não posso usar outros meios de contracepção, então meu esposo usa
preservativos e funciona muito bem.
Você é livre para fazer escolhas, mas não se
esqueça nunca que é livre também para assumir as consequências que um aborto
pode trazer, tanto afetando a saúde física, como a mental e a psicológica,
porque conviver com a culpa da morte de um ser humano não é fácil. Passar anos
pensando como poderia ser aquela pessoa que foi negada a vida a ela, é muito
triste e pode causar problemas irreversíveis na sua vida, por isso pense muito
bem antes de tomar uma decisão.Eu
me baseio muito para ter a minha opinião formada sobre esse assunto, no
depoimento a seguir, nele dá pra notar claramente a força e a coragem da mãe Mônica
Torres Lopes Sanches que por amor a sua filha, não cometeu aborto, mesmo
sabendo que ela nasceria sem o cérebro ou sem uma parte dele e teria pouco
tempo de vida. Mas ela deu a sua filha uma chance: a de nascer e pelo menos por
poucas horas sentir o gosto da vida pulsando! Leia com atenção.
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Entrevista Revista Veja com Mônica, mãe de Giovanna:
“Giovanna
nasceu às 14:17h. Fiquei preocupada, pois não ouvia seu choro. Sabia que corria
o risco dela não reagir, não respirar e falecer no momento que cortasse o
cordão umbilical. Fiquei apreensiva esperando alguém me dar notícias dela. Foi
quando ouvi seu chorinho confirmado pelo Pe. André que foi batizá-la. O Papai
tirou muitas fotos dela quando o Doutor Alberto, seu pediatra, veio trazê-la
para meus braços. Ela era linda! Tinha a boca do Papai e o meu nariz. Seu
chorinho era como se me pedisse proteção e foi o que fizemos. Dei carinho,
beijo, chorei, pedi desculpas pela vida curta que lhe daria e curtimos muito.
Levaram ela e fiquei com uma sensação maravilhosa pois tudo que pedimos já
tínhamos conseguido: Que ela fosse batizada e que tivéssemos um tempinho para
curti-la. Fui para o quarto e umas 18:00 h fui vê-la. Cheguei lá, os batimentos
cardíacos dela estavam baixos e o aparelho emitia um alarme. Ao vê-la fiquei
muito emocionada, pois ela estava peladinha e pude observá-la melhor e ver seus
pezinhos, seus bracinhos, fofa demais! Comecei a fazer carinho em sua perninha
e dizer o quanto ela era amada e o quanto estávamos orgulhosos da sua força.
Sem que eu soubesse do seu estado, seus batimentos começaram a subir de 94 para
129 e estabilizaram (o normal é entre 120 e 170) para a surpresa inclusive da
enfermeira que estava conosco. Foi a prova física do que eu já sabia. Que ela
me reconheceu como aquela que a protegeu durante os nove meses e deu até um
“sorrisinho” de tão relaxada que ficou. Foram momentos inesquecíveis. Ver
quanto éramos importantes para ela, era tudo o que precisávamos e ao mesmo
tempo, nem sei se merecíamos tamanha alegria. Foi colo de Deus mesmo.
Umas 20:30 h pedi ao Marcelo para ver como ela
estava. Ele voltou muito emocionado e disse que ela não estava muito bem, que
respirava com dificuldades, que já devia ser a hora dela e que não achava bom
eu ir lá. Choramos juntos e também rezamos juntos para que Nossa Senhora a
recebesse quando chegasse lá e que ela não sofresse. A médica avisou à Miriam
(madrinha da Giovanna) que era bom eu ir. Foi o que eu estava precisando.
Quando cheguei lá, Giovanna não respirava mais, mais seu semblante era
realmente de que não sofreu e de quem tinha partido nos braços da Mãe do Céu.
Peguei ela no colo e percebi naquele momento que ela estava nos vendo e que
sabia do amor que tínhamos por ela. Dei beijos e fiquei um tempo contemplando
seu rostinho lindo.
Seu enterro foi tratado às 9:00 h do dia 26
para às 11:00 h do mesmo dia. A chuva fina permanecia e por ser um Sábado de
Aleluia, imaginamos que as pessoas não teriam tempo de saber e de estarem lá. O
carinho de todos foi tão grande que umas 90 pessoas entre amigos e familiares
foram nos dar apoio. Marcelo carregou seu caixãozinho com o orgulho de quem deu
a vida e dignidade quando esta já não era possível. Sabia que para esta filha,
com certeza, teríamos dado o Céu. E que a vida que ela hoje vive não tem mais
fim. Giovanna foi uma guerreira que mostrou aos mais incrédulos que era pequena
no tamanho, mas grande na necessidade de mostrar o quanto sua vida era
importante”.
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(A
parte a seguir foi acrescentada pela autora depois da propaganda do aborto de
anencéfalos pela revista Veja):
“Hoje,
aquela paz abriu espaço para uma inconformação quando ouço a frieza com que
falam do assunto.
Chamam-me
de hipócrita (Revista Veja 03/09/08) por eu acreditar que crianças que nascem com
anencefalia (ausência parcial do cérebro) como minha filha, têm o direito de
serem respeitadas como seres humanos e cidadãs que são. Hipócritas são os que
defendem os direitos dos excepcionais, mas querem que estes sejam aniquilados
pelas suas mães em seu útero se assim elas desejarem.
Minha
filha viveu além dos nove meses em meu ventre, apenas 6 horas e 45 minutos, mas
nasceu viva e por todo este tempo, respirou sem a ajuda de aparelhos e chorou
ao nascer. Esta não é somente uma discussão entre “doutores” e a Igreja como
querem que acreditem.
Sinto-me
profundamente desrespeitada como mãe quando ouço que uma criança como a minha
filha, não tem direito à vida e tê-la protegida pelas leis que regem o meu
país. Não admito que se menospreze a importância da vida da minha filha como se
faz.
Se
estiverem preocupados com o emocional das mães, pensem não só nas mães que
rejeitam este filho “imperfeito”, mas também nas mães que os acolheram como
príncipes de suas vidas. E desta forma, fica impossível eu não sofrer
profundamente ao ouvir que vocês até aceitam que eu leve a gestação até o fim,
mas que minha filha não tem o direito de viver o tempo que não sabemos também
se ainda teremos para viver. É como se dissessem que respeitam a minha opção de
fingir que sou mãe.
Sofro
ao ouvir que “o que se tem no ventre materno é algo que nunca chegará a
alguém”, “O útero materno é um casulo e o feto, uma crisálida que não chegará a
ser uma borboleta. Tem o direito de nascer para morrer?” (Ayres Britto – O
Globo 21/10/04). A constituição do meu país “abraça” a dignidade humana da
minha filha e a coloca como cidadã que nasceu viva respirou sozinha e veio a
óbito naturalmente. Com isso teve direito a certidões de nascimento e óbito e
enterro digno como toda mãe deseja para um filho morto. Sofro ao ler em
dicionários que anencéfalo é um monstro caracterizado pela ausência de cérebro.
Minha filha não nasceu um monstro. Pelo contrario um bebê lindo que carregava
características nossas como qualquer outro bebê. Também sofro ao ouvir mentiras
tendenciosas como dizer que o bebê que nasce assim não tem vida. Quem não tem
vida chora? [...]
Não
me sinto no direito de julgar aqueles pais que tomaram decisão diferente, pois
agem como um homem que por desespero atente contra a vida do assassino de um
ente querido. Entendo seus motivos, mas não posso concordar com seus atos. Se
eu concordasse com esta liberação, estaria aceitando que a vida da Giovanna é
uma verdade relativa. A um interesse meu de passar ou não por um sofrimento. Se
não quero passar por ele, então ela não tem vida. Se aceito, tem vida. Tem vida
e pronto. Ponto incontestável na minha experiência de mãe que a vi respirar
espontaneamente como qualquer outro bebê.
O
governo deveria sim, dar todo o apoio físico e psicológico para esta mulher,
para que assim como comigo, o que fique, não seja a dor de ter matado um filho,
mas uma dor conformada, pois a protegi enquanto a vida lhe foi possível”. Mônica Torres Lopes Sanches
REFERÊNCIAS
Autoria do texto inicial "Aborto: você é livre para fazer suas escolhas": Eliane Kilian da Silva
BRASIL.1988. Constituição Federal, Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais - Capítulo I - Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, art. 5. Disponível em:<http://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_06.12.2017/art_5_.asp>.
VEJA, Revista. Entrevista Revista Veja com Mônica, mãe de Giovanna: Disponível em: <http://www.providaanapolis.org.br/index.php/todos-os-artigos/item/16-o-testemunho-de-m%C3%B4nica-m%C3%A3e-de-giovanna-anenc%C3%A9fala>.